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Omega 3: usar ou não?

Dr Otavio Celeste Mangili

Área de interesse: Doença coronária

Essa semana tivemos 2 estudos apresentados no congresso da American Heart Association que  avaliaram o uso de omega 3 com intuito de prevenir doenças cardiovasculares. Lembro que o uso dessa gordura insaturada, que pode ter origem em vegetais ou no óleo de peixe, recebeu ao longo do tempo, outras indicações na medicina, como uso na gestação para prevenir depressão pós-parto ou como estabilizador de humor no transtorno bipolar. Essas indicações não foram contempladas nestes estudos e não são objeto de discussão por aqui.

O primeiro estudo deles, chamado VITAL, avaliou uso de 1 grama ao dia de omega 3, além da suplementação de vitamina D para prevenção de doença cardiovascular (AVC, infarto, morte cardiovascular) e também para redução de risco de câncer. Este estudo acompanhou  quase 26 mil indivíduos com mais de 50 anos por um período de até 5 anos. Não houve redução de risco de ambos os desfechos, nem com suplementação de omega 3, nem com vitamina D (abordaremos os resultados de vitamina D em outro post). Ou seja, omega 3 não reduziu de forma significativa o risco de adoecer e/ou morrer de causa cardiovascular.

Porém, outro estudo abordou essa classe de substâncias com resultado diferente. Trata-se do estudo REDUCE-IT, que já vem causando polêmica e discussão no meio científico. Este estudo usou uma suplementação específica de omega-3, que vale a pena explicar. Ele usou uma forma específica de omega-3, o acido eicosapentaenoico (EPA) altamente purificado, ainda não disponível para o comércio. Ele foi usado em pacientes com obstrução prévia nas artérias coronárias e também em diabéticos com múltiplos fatores de risco cardiovasculares, que apresentassem triglicerídeos elevados. E, nesta população, o uso do EPA altamente purificado levou a uma redução relativa de 25% no risco de infarto.

Podemos então descartar de vez os acidos Omega-3 como prevenção de doenças cardíacas? Para a maioria das apresentações dessa substância parece que sim. Mas logo teremos mais uma ferramente no arsenal de combate aos vilões do coração: EPA altamente purificado.

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