Sociedade Paranaense de Cardiologia

Consumo de água mineral e risco cardiovascular

Você    sabia  que   o  consumo  de  água  mineral  pode  ser   um  fator  protetor  contra as  doenças cardiovasculares?

Há diferentes tipos de água mineral, pois sua constituição difere dependendo do local de onde é retirada. Em locais em que o acesso a água potável é restrito, é comum a dessalinização da água (purificada). Esse é um processo de alto custo que, apesar de fornecer um produto passível de consumo, restringe a composição de minerais.

A doença cardiovascular é extremamente comum, sendo responsável por altos índices de morbimortalidade em todo o mundo, sendo a principal causa de mortalidade em nosso país. Isso resulta em custos elevados para o sistema de saúde e diminuição importante da qualidade de vida. Sendo assim, a prevenção da doença cardiovascular, com o controle de seus fatores de risco, é uma medida fundamental.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o consumo de água mineral rica em cálcio e magnésio demonstrou estar associado a diminuição da mortalidade por eventos cardíacos isquêmicos. Em estudos populacionais e experimentais houve melhor controle de fatores de risco cardiovasculares, vindo de encontro com o que é defendido pela OMS. O consumo de água mineral parece contribuir, nesse contexto, de diversas maneiras, como: (1) melhor controle dos níveis tensionais em hipertensos, (2) controle de níveis glicêmicos (em estudos experimentais), (3) diminuição dos níveis de colesterol total e LDL-c em dislipidêmicos, (4) diminuição de fatores que estão associados a maior estresse oxidativo e (5) capacidade antioxidante.

Entretanto, faltam estudos que embasem melhor a recomendação dessa medida, a nível de saúde pública, e sobram dúvidas sobre o assunto. Por exemplo, qual é o balanço ideal de minerais para se ter benefício cardiovascular? Qual é a quantidade recomendada para consumo mínimo diário? Qual é o peso desse benefício nas populações que não enfrentam a desnutrição?

Nesse sentido, há necessidade de mais pesquisas e maior conscientização dos governos, principalmente daqueles países que possuem faixas importantes da população em que a dieta não é suficiente para prover esses minerais de maneira satisfatória. Sendo assim, o consumo de água mineral parece ser uma medida adicional importante na prevenção da doença cardiovascular, especialmente nas populações mais carentes.

Para maiores esclarecimentos, seguem referências bibliográficas interessantes sobre o assunto.

1. http://www.who.int/water_sanitation_health/gdwqrevision/nutminerals/en/

2. Luo J, et al. The consumption of low-mineral bottled water increases the risk of cardiovascular disease: an experimental study of rabbits and young men. Int J Cardiol, 2013.

3. A.M. Pe?rez-Granados et al. Journal of Nutritional Biochemistry. 21 (2010): 948?953.

4. Pereira CD, et al. Relevance of a Hypersaline Sodium-Rich Naturally Sparkling Mineral Water to the Protection against Metabolic Syndrome Induction in Fructose-Fed Sprague-Dawley Rats: A Biochemical, Metabolic and Redox Approach. Int J Endocrinol, 2014; 10 (23): 1-17.

5. Monarca S, et al. Review of epidemiological studies on drinking water hardness and cardiovascular diseases. European Journal of Cardiovascular Prevention and Rehabilitation; 2006, 13:495?506.

6. Rylander R. Magnesium in drinking water ? a case for prevention? Journal of Water and Health, 2014; 12 (1): 34-40.

7. El-Seweidy MM, et al. Role of sulfurous mineral water and sodium hydrosulfide as potent inhibitors of fibrosis in the heart of diabetic rats. Archives of Biochemistry and Biophysics 506 (2011) 48?57.

8. Delia C, et al. The therapeutic effect of carbogaseous natural mineral waters in the metabolic syndrome. Balneo Research Journal, 2012; 4 (4): 5-22.

Autor: Dr. Vinicius Bocchino Seleme - Cardiologista CRM/PR 29601.




Voltar
Newsletter